Dilma: É estarrecedor que PSDB ameace acabar com o PAC e mudar a economia
A pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, declarou na sexta-feira (15) ter ficado estarrecida com a ameaça do presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, de acabar com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), caso o partido dele vença as eleições. Em entrevista à Radio Mirante, do Maranhão, a ministra-chefe da Casa Civil foi dura com os adversários do Governo Lula:“É estarrecedor que alguém se proponha a este tipo de atitude por razões eleitorais, ainda mais sendo presidente de um partido”.
Sérgio Guerra disse que o PSDB pode acabar com o PAC, que considera um fracasso, na entrevista publicada nas Páginas Amarelas da revista Veja da semana passada. O tucano prometeu também que, se o PSDB vencer a eleição presidencial, a economia sofrerá fortes mudanças.
“Sem dúvida nenhuma, iremos mexer na taxa de juros, no câmbio e nas metas de inflação. Essas variáveis continuarão a reger nossa economia, mas terão pesos diferentes”, disse o presidente tucano.
Para Dilma, o que Sérgio Guerra está anunciando é uma aventura perigosa em relação aos juros, ao câmbio e às metas de inflação.
“É grave, é uma política absolutamente aventureira. Hoje a inflação está sob controle, não afeta o bolso do trabalhador e tampouco o do empresário. Acabamos com aquela história de ir com o pires na mão ao FMI, como eles iam. Temos mais de 230 bilhões de dólares de reservas. Nossa política econômica foi bem sucedida, e é um aventureirismo falar uma coisa dessas”, reagiu a ministra.
Dilma ficou irritada com a ameaça de obstrução do Plano de Aceleração do Crescimento por um eventual governo tucano. Ela entende que seria um grande retrocesso.
“Foi durante o governo do PSDB que se investiu muito pouco em infraestrutura neste país. Ficamos 25 anos sem construir sequer uma refinaria no Brasil. No Governo Lula, nós mudamos a maneira de gastar, tornando investimento em infraestrutura uma prioridade”.
As ameaças do presidente nacional do PSDB, segundo Dilma, são uma repetição.
“Acabar com o PAC é tão grave como foi, no primeiro mandato do Lula, a conversa deles sobre acabar com o Bolsa Família. A cada eleição eles resolvem acabar com alguma coisa. Mas a força do Bolsa Família é tão grande, e a reação da população será tão grande, que eles nunca vão conseguir acabar com o programa, e nem com o PAC, mesmo porque nós esperamos que eles não ganhem a eleição para fazer uma coisa dessas”.
A ministra sustentou que o PAC serviu de âncora para evitar o desemprego durante os efeitos da crise internacional sobre o Brasil. Serviu, junto com o programa Minha Casa, Minha Vida, para preservar a atividade econômica.“O Brasil virou aquilo que o presidente Lula prometeu, um canteiro de obras. É estarrecedor que se fale em acabar com o PAC por questões eleitorais”, repetiu.
Sérgio Guerra ainda não se viu livre de uma polêmica e já está envolvido em outra. Segundo nota da nova edição da mesma revista em que prometeu que um governo tucano mexerá profundamente nas bases da economia, o presidente do PSDB declarou apoio irrestrito à reeleição de sua companheira Yeda Crusius ao governo do Rio Grande do Sul, o que pode tornar difícil a manutenção da aliança entre o PSDB e o PMDB no estado. Os tucanos gaúchos preferiam que Yeda desistisse de concorrer e fosse para uma das duas casas que comprou depois de eleita.
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Governo prepara em março lançamento da segunda fase do PAC
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer evitar ao máximo que a equipe de governo se desmobilize neste último ano de seu governo por conta das eleições, o que pode prejudicar o crescimento da economia previsto para 2010 e as políticas sociais já em andamento. Este será um dos temas a serem abordados pelo presidente, na primeira reunião ministerial deste ano, marcada para quinta-feira (21).
Hoje, na reunião com os ministros de sua equipe de coordenação política, Lula tratou da preparação da reunião ministerial. Segundo o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, na reunião ministerial o presidente também fará uma avaliação das ações implementadas em 2009.
O ministro destacou que, na avaliação do presidente Lula, “o fato de o Brasil ter superado a crise internacional não é motivo para desmobilizar as equipes que atuam nesta área”. A continuidade das ações, acrescentou, é necessária para que o país mantenha o ritmo acelerado de crescimento e das ações sociais.
Padilha disse, ainda, que o presidente já deixou claro que as eleições presidenciais de outubro de 2010 não serão tratadas nas reuniões de governo. Lula delegou a tarefa de tratar das costuras políticas as direções dos partidos que integram sua base de sustentação, para a preservação da atual aliança.
Em março, o presidente deve anunciar o lançamento da segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). O objetivo, explicou o ministro, é garantir que os programas já implementados ou em andamento sejam preservados a partir de 2011.
Uma das orientações do presidente, nesta segunda etapa do PAC, é que sua equipe analise medidas específicas para as regiões metropolitanas, como saneamento básico e tratamento de resíduos sólidos. Padilha destacou, ainda, que o presidente quer a incorporação, no PAC 2, dos investimentos orçamentários previstos para a área de ciência e tecnologia e de universalização e democratização da internet.
Até o momento, ressaltou ele, os investimentos a serem realizados na se segunda etapa do PAC ainda não estão dimensionados. Isso deve estar pronto em março, disse Padilha.
ABr






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