Alunos da Escola Tecnológica interditam rodovia em protesto.
Alunos da Escola de Educação Tecnológica do Pará, EETEPA, em Paragominas, fecharam a rodovia PA 256 no trecho em frente a escola para o trafégo de veículos, provocando um congestionamento de aproximadamente 3 quilômetros. A principal reinvindicação dos alunos é agilizar o reconhecimento dos cursos pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, o CREA. Os estudantes alegam que muitos deles que concluíram os cursos, estão impedidos de exercer a profissão pois não conseguem obter o registro profissional no CREA, porque a escola apesar de funcionar desde o ano 2000 não está regularizada neste órgão.Inaugurada em 2000, a EETEPA esteve até ano de 2007 sob a administração de uma Organização Social, a OS Escola de Trabalho e Produção do Pará, ETPP, quando passou a ser gerida pela Secretaria Estadual de Educação, Seduc.
Projetada para atender 18 municípios no entorno de Paragominas, a escola esteve inicialmente focada em formar técnicos de nível médio para as setor produtivo do campo, tendo formado centenas de técnicos em pecuária, agricultura e agroindústria, que desfrutam de grande prestígio no mercado de trabalho desses municípios mas sempre com o inconveniente de não poder obter o registro profissional.
Além dos cursos técnicos, a escola oferecia regulamente à população dezenas de cursos básicos livres, nas áreas de mecânica, soldagem, eletricidade, jardinagem, informática, processamento de leite, carnes e vegetais. Todos esses cursos básicos deixaram de ser ofertados pela escola desde que ele passou para a gestão da Seduc, deixando de atender pessoas que precisam se reciclar para melhorar sua empregabilidade ou para aumentar sua renda com a abertura de pequenos negócios.
Outro mudança radical ocorrida com a Seduc foi a centralização das decisões sobre as políticas da escola nos gabinetes de Belém, por pessoas que desconhecem completamente a realidade da microrregião de Paragominas, pois nem sempre o que dá certo em Belém pode ter os mesmos resultados em Paragominas, Marabá ou Oriximiná. Pelas dimensões do nosso estado, cada região tem características próprias que exigem enfoque local no enfrentamento dos problemas. Assim era com a OS, que promovia audiências públicas para decidir os cursos e políticas pedagógicas localmente com os professores, funcionários e a comunidade, tudo no voto. Hoje, como dito, centraliza-se tudo em Belém nos gabinetes da Seduc.
A unidade da EETEPA em Paragominas está equipada com equipamentos de ponta, possui laboratórios de físico-química, microbiologia, análise de solos, de fitossanidade, unidades de processamento de leite, carnes, frutas, mecânica, eletrotécnica, mineração, parque industrial moveleiro, tudo se deteriorando pois quase nada está sendo utlizado por problemas na rede elétrica, que nunca foram resolvidos, desde a inauguração da escola.
A recente cobrança dos alunos pela regularização da escola nos órgãos de fiscalização, pode até mesmo ter sido motivada por outros interesses, mas é apenas a ponta do iceberg, muito há que ser feito. A Seduc precisa se conscientizar de sua lentidão, de sua incapacidade e dos equívocos cometidos até aqui na área de formação técnica. Pois não se trata só de gerir uma escola técnica, trata-se antes disso, de o Pará ter uma política de formação técnica coerente e voltada para as necessidades locais e conectada com o futuro. Desde 2008 esta já é quarta paralisação das atividades desta escola motivadas por protestos de alunos pautando sempre os mesmos problemas, algo deve está errado, alguém não está ouvindo a base.
No vácuo das falhas da EETEPA em Paragominas, pelo menos três escola técnicas privadas iniciaram suas atividades nos últimos três anos, oferecendo basicamente os mesmos cursos que a escola técnica pública. Fica então uma pergunta que não quer calar, por que alunos deixam de frequentar uma escola técnica pública, equipada com laboratórios de ponta para frequentar o mesmo curso em uma escola privada e sem nenhuma estrutura? e ainda, pagando por isso?
Em tempo: alunos da ETPP/EETEPA Paragominas que já concluíram seus cursos e que em hipótese alguma admitem ser chamados de ex-alunos, já iniciaram diálogo para propor uma audiência pública para debater a situação da escola. Seria bom que antes disso a Seduc saísse de sua letargia e propusesse ela mesma um amplo debate com os movimentos sociais, educadores, assentados da reforma agrária, alunos, empresáriso, prováveis parceiros públicos e privados, prefeituras e outros atores interessados, isso já seria uma prova concreta de que se quer desatar esse nó chamado EETEPA Paragominas.
Renan Lima






4 Comentários:
Nós alunos temos toda a razão de fazer-mos essas manifestãções... parece q so assim chamamos a atenção das autoridades!!!
29 de janeiro de 2010 às 12:05Nós alunos temos toda a razão de fazer-mos essas manifestãções... parece q so assim chamamos a atenção das autoridades!!!
29 de janeiro de 2010 às 12:07joão agroindustria 2007 e meio ambiente 2008
sinto-me envergonhado com este descaso com a EETEPA, escola esta de grande importancia para nós paragominenses.
29 de janeiro de 2010 às 18:00acho que este problema chama-se administração, pessoas totalmente incapazes de gerir a educação tecnologica.
Até quando vão quebrar a cara?
Só pensam no dinheiro?
Professores e Diretores, o regime militar já passou ou ainda continua?
Ednaldo Colares Ex aluno
São muitos alunos prejudicados, com o descaso das autoridades, pois não dão a minima importancia em resolver esse problema e outros mais.
8 de fevereiro de 2011 às 11:14Muitos ex alunos são negados de assumir a sua profissão porque não é reconhecido pelo CREA.
E a SEDUC não faz nada pra resolver esse problema.
Eu como ex aluna do curso de agricultura 2007, tambem me sinto lesionada com esse descaso, como muito outros ex alunos.
Marinalva Agricultura 2007.
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