Governadora faz balanço positivo do primeiro ano
A governadora Ana Júlia Carepa participou do último programa Sem Censura Pará, da TV Cultura, deste ano, exibido na tarde desta sexta-feira (28). Ela fez um balanço do primeiro ano de governo e falou das perspectivas da sua administração nos próximos três anos, nas áreas da educação, saúde, segurança pública, ciência e tecnologia, turismo e meio ambiente.O programa teve como debatedores os jornalistas Joyce Santos, assessora de comunicação do Museu Paraense Emílio Goeldi; Ana Prado, professora da Universidade da Amazônia (Unama), e Paulo Roberto Ferreira, diretor da TV Cultura, além de ter contado com a participação dos telespectadores com perguntas respondidas ao vivo pela governadora.
Inicialmente, a apresentadora Renata Ferreira pediu que Ana Júlia Carepa destacasse quatro realizações fundamentais ao Pará, em 2007. A forma de governar, através do Planejamento Territorial Participativo (PTP), foi lembrada pela governadora. Segundo ela, pela primeira vez, a população de todas as regiões do Estado, dos 143 municípios, indicou os investimentos prioritários. “É uma nova visão de gestão democrática e participativa. Cerca de 85% do que foi decidido no PTP consta no Plano Plurianual, o PPA”, comentou.
O outro destaque foram os investimentos em Ciência e Tecnologia. Em relação aos anos anteriores, esses investimentos foram quase dez vezes maiores. Além disso, foram assinados contratos com a Universidade Federal do Pará (UFPA) para implantação dos parques tecnológicos em Belém, Santarém e Marabá.
A área de segurança pública também recebeu atenção especial do governo do Estado. Ana Júlia Carepa informou que houve melhorias em equipamentos e realização de concurso público para aumento do efetivo policial. “Há dez anos não havia concurso público para Polícia Militar. Fizemos a prova, além de adquirirmos carros e motos”, lembrou.
Ana Júlia Carepa considerou fundamental ainda a reforma administrativa, com a criação de novas secretarias e desmembramento de outras, como a de Pesca e Aqüicultura; de Trabalho, Emprego e Renda; de Desenvolvimento Social; e de Meio Ambiente.
Segurança Pública – A jornalista Ana Prado questionou quais as ações o governo do Estado ainda pretende implantar, no sentido de prevenir a violência e criminalidade, sobretudo com políticas públicas para população infantil. Apesar de não responder pela educação infantil – uma obrigação dos Municípios -, a governadora garantiu que não estará de braços cruzados, e continuará as parcerias com as prefeituras. Paralelamente, instituiu este ano o programa Bolsa Trabalho, de auxílio financeiro e capacitação dos jovens.
Ana Júlia Carepa disse ainda que já foram elencados 698 jovens para formação acelerada no Bolsa Trabalho para ingressarem no mercado de trabalho. “Assinamos convênio com a Federação das Indústrias do Estado do Pará, Fiepa para 10 mil vagas de emprego, que serão absorvidas pelos jovens do programa”, adiantou. Além disso, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) criou o projeto Escolas de Portas Abertas, de aproveitamento do espaço da escola para ações educativas, culturais e sociais para crianças, jovens e suas famílias. “Os jovens também recebem bolsas para serem monitores dessas ações”, completou.
Em perguntas dos telespectadores, foram sugeridas rondas policiais nos bairros mais perigosos, aumento do efetivo e a permanência dos PM Box. Ela reforçou o concurso público da PM para preenchimento de 1.800 – em julho, os policiais deverão estar nas ruas, após curso de qualificação -, a solicitação de devolução de pelo menos 50% dos policiais cedidos para órgãos do Judiciário e Legislativo, e disse que a manutenção dos postos policiais dependerá de avaliação do futuro secretário de Estado de Segurança Pública, Geraldo Araújo (da Polícia Federal), que substituirá a atual secretária Vera Tavares.
Na reforma do secretariado, também sairá Mário Cardoso, da Seduc, a pedido do seu partido, o PT. No seu lugar, assumirá Iracy Gallo, pró-reitora da UFPA.
Integração do Pará – O movimento de separação de algumas regiões do Estado também foi pauta do Sem Censura. Ao comentar a ausência do aparelho do Estado nas diversas regiões, como o oeste e sudeste, o jornalista Paulo Roberto perguntou sobre a política do governo para conter esses movimentos.
“Meu compromisso de campanha foi integrar o Estado. Uma das formas foi o PTP, foi a primeira ação para estabelecer as prioridades no PPA, de acordo com a sociedade. Se é possível conte-los? É possível a população dar um tempo para um governo que pela primeira vez descentraliza, efetivamente, a sua gestão”, afirmou a governadora, usando o lançamento do Bolsa trabalho, simultâneo em Belém, Santarém e Marabá, como exemplo de que as políticas públicas não estão restritas à região metropolitana.
Emprego e renda – Em entrevista gravada, exibida durante o programa, o feirante Francisco Gouveia demonstrou o seu interesse, e o da maioria dos paraenses, sobre a geração de empregos no Pará. Ana Júlia Carepa disse estar ciente de que, apesar de 2007 ter registrado o maior crescimento de vagas nos últimos anos, ainda não foi suficiente.
“Até novembro, o Pará bateu recordes – nos registros desde 2000 – com um saldo positivo de 32 mil empregos com carteira assinada, segundo o Dieese. Além disso, temos oportunidades com as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que aplicará R$ 960 milhões em obras de saneamento e habitação, impulsionando o mercado de trabalho da construção civil”, informou.
Turismo – Infra-estrutura turística também foi foco do primeiro ano do governo Ana Júlia Carepa. De acordo com ela, além da inauguração do Centro de Convenções (Hangar), que estimulou o turismo de eventos na capital e a construção de seis hotéis (em andamento), o governo do Estado se preocupou em dotar o Pará das condições necessárias para atrair e receber os turistas.
A governadora citou a recuperação de estradas, como a de Alter do Chão e a Santarém-Curuá-Una, as obras de abastecimento de água e a construção de 11 portos aquaviários no interior. “O turista só vem se tiver infra-estrutura”, afirmou.
Eleições 2008 – Sobre o pleito municipal do próximo ano, se haverá apoio ao atual prefeito Duciomar Costa, comentado pelos debatedores e telespectadores, a governadora adiantou que respeitará a decisão do seu partido, o PT, que deverá ter candidato na capital. Segundo ela, a parceria com a Prefeitura de Belém continuará, tanto que foram assinados dois convênios de R$ 3,5 milhões para Vila da Barca (liberados R$ 1,5 milhão) e de R$ 18 milhões para pavimentação de ruas, além dos recursos previstos no PAC.
“Vamos ajudar todos os municípios porque o nosso compromisso é não perseguir nenhum prefeito, porque sofremos esta perseguição quando estivemos na Prefeitura. Por isso, estamos repassando recursos que foi tirado do Município, quando castigado”, reafirmou Ana Júlia Carepa.
No Sem Censura, foram ainda abordadas as grandes obras na Amazônia – hidrelétrica de Belo Monte, eclusas de Tucuruí, BR-163 e porto Espadarte – e o desmatamento. A governadora ressaltou que, além de defender o desmatamento zero, o governo do Estado irá incentivar o reflorestamento e exigir a legalidade do carvão das guseiras, em defesa da indústria paraense. Este ano, foram assinados termos de cooperação técnica com a mineradora Vale para monitoramento das queimadas e termo de compromisso com a Alcoa, que destinará R$ 25 milhões a três unidades de conservação estaduais.
A jornalista Joyce Santos lembrou o tratamento que a mídia deu à governadora. Para Ana Júlia Carepa, o “seu pecado” foi ser mulher, do Norte e do PT. “Alguns setores da sociedade, que também ‘batem’ no presidente Lula, de manhã, de tarde e de noite, foram transferidos a mim, porque o novo modelo de desenvolvimento contraria seus interesses. Sei que existem enormes preconceitos”.
“Por anos, os governos foram silentes e não exigiram o cumprimento da legalidade. Estamos mostrando que com agregação de valor e os parques de ciência e tecnologia iremos dinamizar a produção, inclusive incluindo os pequenos produtores. Não podemos abrir mão do que temos de maior valor que são nossos recursos naturais”, afirmou.
Temporários – Muitas perguntas dos telespectadores foram sobre a situação dos servidores temporários. A governadora enfatizou que o governo do Estado irá cumprir a decisão judicial. O que já foi garantido com o Ministério Público do Trabalho (MPT) é que os serviços essenciais não paralisem. Portanto, alguns trabalhadores ainda permanecerão até que sejam realizados os concursos públicos. “Herdamos esta situação daqueles que não tiveram coragem de resolvê-la”, alfinetou.
Ana Júlia Carepa finalizou a entrevista lembrando que assumiu o governo do Estado com R$ 158 mil nos cofres e uma dívida de R$ 289 milhões, e conseguiu ao final do ano sanear as contas e pagar três salários dos servidores no mesmo mês – os vencimentos de novembro e dezembro e o décimo terceiro -, além de todas as políticas públicas já realizadas no primeiro ano. “A população pode ter a chama da esperança no coração, porque 2008 será muito melhor”.
Fonte: Ag. Pará






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